Um dia de chuva

Hoje o dia acordou com chuva.
A Muli abriu a porta devagarinho e saiu cá para fora com o guarda-chuva bem aberto.
As gotinhas caíam tic, tic, tic em cima dela, como uma canção baixinha.

"Estás a sentir a chuva?"

pergunta a Muli:

"Faz cócegas…"

A rua ficou mais calma, as cores mais suaves e o mundo parecia andar devagar.
A Muli estendeu a mão, só um bocadinho, para sentir a chuva fria na ponta dos dedos.

"Achas que a chuva sabe que estamos aqui?" - sussurra.

E assim ficou, a Muli de pés descalços na água, a dançar com as poças, a rir baixinho e a girar o guarda-chuva como se fosse um chapéu mágico. O céu parecia sorrir com ela, e as nuvens contavam segredos em gotas que tocavam o rosto.

"E tu, como foi o teu dia?" - pergunta a Muli, olhando para cima.

"Achas que amanhã vai ser melhor ou pior? Já perguntaste às nuvens o que elas pensam?"