Quem é a Proteção Civil?!!!!

A Muli estava deitada na cama, bem agarradinha ao seu ursinho preferido, quando de repente… Rumble… rumble… CRASH! Um trovão enorme fez a janela tremer um bocadinho.

"Mãeeeeeeeeeeeeeee!" - gritou Muli, sentando-se de repente.
"O céu está zangado? O que é isso?"

A mãe aproximou-se devagar, acendeu a luzinha de estrelas e sentou-se na beira da cama.

"Não está zangado, amor. É só o céu a fazer uma grande festa. Chama-se tempestade. As nuvens juntam-se todas, dançam com vento, choram chuva para as plantas beberem e batem palmas bem alto… é o trovão."

Muli arregalou os olhos.

"E o clarão que pisca? Parece uma foto gigante!"

"Isso é o relâmpago" - explicou a mãe sorrindo. "É como uma estrela que pisca muito depressa para dizer “olá, estou aqui!”

Muli pensou um bocadinho, abraçando mais forte o ursinho.

"Mãe… e a Proteção Civil? A minha amiga disse que eles aparecem quando há tempestades. Eles vêm cá a casa se o trovão gritar muito?"

A mãe riu baixinho.

"Eles não vêm a todas as casas, mas estão sempre prontos para ajudar quando é preciso. São como super-heróis de verdade, só que em vez de capas usam coletes amarelos, verdes e vermelhos que brilham."

Muli inclinou a cabecinha.

"E se eu deixar cair o meu boneco no chão? Eles vêm?"

"Não, meu amor!" - respondeu a mãe com um sorriso grande. - "Para isso a mamã e o papá chegam logo a correr e dão muitos beijinhos no boneco para ele ficar melhor."

Muli riu-se.
"E se eu entornar o leite todo no pequeno-almoço e ficar uma poça gigante na mesa?"

A mãe fingiu pensar muito sério.

" Hummm… aí também não chamamos a Proteção Civil. Aí chamamos… a Muli e a vassoura mágica! Ou então a mamã traz um pano e limpamos juntas, a rir."

Muli ficou mais séria de repente.

"Então… quando é que eles vêm mesmo?" - perguntou a Muli!

"Eles vêm quando a tempestade faz coisas grandes e difíceis" — explicou a mãe com voz doce. - "Quando a chuva cai tanto que entra água pela rua dentro de casa, ou quando o vento derruba uma árvore e bloqueia o caminho, ou quando alguém precisa de ajuda para sair de um sítio perigoso. Aí eles chegam depressa: os bombeiros, a polícia, a guarda, a Cruz Vermelha… todos juntos como uma equipa gigante."

Muli imaginou.

"E levam sirenes?" - perguntou a Muli.


"Sim! Fazem “pin-pon, pin-pon” para avisar toda a gente: “Fiquem seguros em casa, fechem as janelas, não vão para a rua nem brinquem perto de árvores ou de água funda. Nós estamos a tomar conta de vocês!”

Muli sorriu, mais descansada.

"Então eles são amigos do céu também?"

"Exato! Quando a festa do céu fica demasiado barulhenta, eles pedem às nuvens: “Já chega por hoje, deixem as crianças dormir”. E as nuvens, que no fundo são muito simpáticas, obedecem. A chuva fica mais fraquinha… o trovão sussurra “boa noite”… e o relâmpago dá um último piscar de olhos."

Muli bocejou, apertando o ursinho.

"Mãe… quando ouvir trovão outra vez, posso pensar que os amigos da Proteção Civil estão a proteger toda a gente?"

"Podes sim!! E também podes pensar que a mamã e o papá estão aqui, e que tu estás quentinha e segura na tua cama."

A mãe deu um beijinho bem grande na testa da Muli.

"Agora fecha os olhinhos… respira fundo… e sonha com um arco-íris enorme que aparece quando a chuva acaba. E nos sonhos podes voar com os teus amigos de coletes brilhantes, todos a rir e a proteger o mundo."

Muli sorriu devagarinho, os olhos já a fechar. E assim, com o barulhinho suave da chuva lá fora a fazer “shhhh… shhhh…” como uma canção de embalar, a pequena Muli adormeceu profundamente, sonhando com nuvens fofas, coletes que brilhavam e muitos, muitos arco-íris e pensando:

"Lá fora estão os meus amigos de coletes brilhantes que cuidam de tudo para eu ficar segura. Não tenho medo porque daqui a nada a tempestade cansa-se… e eu fico aqui, quentinha, a esperar o arco-íris.”